O marco da votação envolvendo a escala 6X1 movimentou trabalhadores pela rua do Brasil e os deputados dentro do Senado. Aprovado nesta quarta-feira (14) em dois turnos,
a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que acaba com a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. Foram 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada turno. O texto garante dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos, e segue para promulgação. A mudança será implementada de forma gradual: a jornada passará para 42 horas após dois meses e chegará a 40 horas um ano depois.

A aprovação também representa o resultado de uma mobilização que ganhou força entre trabalhadores nos últimos anos. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e Rick Azevedo, fundador do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), tiveram papel central na popularização da pauta e na articulação em defesa do fim da 6×1. Em audiência no Senado, em 2025, o próprio presidente da comissão reconheceu que a “marca 6×1” havia sido criada e impulsionada por Erika e Rick.
A campanha ganhou força nas redes sociais e levou a discussão sobre jornada de trabalho para o centro do debate público. Rick, que viveu a escala 6×1 durante 12 anos, passou a representar o movimento nacionalmente, enquanto Erika atuou no Congresso pela aprovação da proposta. Os dois participaram da mobilização que ajudou a transformar a redução da jornada em uma das principais pautas trabalhistas em discussão no país.
A nova regra prevê até oito horas de trabalho por dia, com possibilidade de compensação de horários e redução da jornada por acordo ou convenção coletiva. A proposta também estabelece uma exceção para trabalhadores com ensino superior que recebam acima de 2,5 vezes o teto do INSS. A aprovação encerra uma longa tramitação no Congresso, mas a mudança ainda depende da promulgação para começar a produzir efeitos.






