O primeiro debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, realizado neste domingo (18), foi marcado por fortes ataques, provocações e interrupções. O primeiro bloco, que permitia confronto direto e 15 minutos de fala livre para cada candidato, foi considerado caótico por analistas ouvidos pela BBC News Brasil. Para eles, o formato favoreceu os ataques e dificultou a apresentação de propostas.
Entre os principais embates, Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões negociados com o banqueiro Daniel Vorcaro, além de temas relacionados à família Bolsonaro, segurança pública e direitos trabalhistas. Flávio, por sua vez, concentrou os ataques nas investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e criticou o governo federal por questões relacionadas à segurança e aos descontos indevidos no INSS. Os dois também trocaram acusações sobre a condução da pandemia, a relação com os Estados Unidos e a atuação de seus familiares.
Os analistas ouvidos pela BBC divergiram sobre quem teve melhor desempenho. Yuri Sanches, da AtlasIntel, e Lucas Aragão, da Arko Advice, avaliaram que Flávio conseguiu dominar melhor o confronto e pautar Lula com seus questionamentos. Já Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, considerou que Lula teve uma atuação superior ao longo do debate, embora não tenha identificado um vencedor claro. Entre os momentos destacados estão o embate sobre a pandemia, a discussão sobre a escala 6×1 e o desafio de Lula para que os dois candidatos abrissem seus sigilos bancários e telefônicos.
No segundo e terceiro blocos, o debate adotou um formato mais controlado e abordou temas como SUS, segurança pública, saidinhas de presos, direitos trabalhistas e propostas para o sistema penitenciário. Flávio defendeu o endurecimento das políticas de segurança e a criação de 500 mil vagas no sistema prisional, enquanto Lula afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública. Ao final, a Polícia Militar foi acionada após uma suspeita de bomba em um veículo no estacionamento da Band que seria ligado à equipe de Flávio. Após a varredura, nenhum explosivo foi encontrado e o local foi liberado.






